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Conversa de doido

A conversa ao telefone parece uma coisa de doido. Foi minha segunda viagem a trabalho e eu fiquei fora cinco dias, quatro noites. Intermináveis noites no interior do Pará.  Ligava várias vezes ao dia e falava com Letícia pelo menos numa das ocasiões, às vezes duas. Ela começa com um inesquecível “oi mamãeeeee...”.

    -       Tudo bem, Letícia?
    -       Tudo.
    Daí o que se segue é uma seqüência de perguntas sem respostas, comentários hilários, propostas inexeqüíveis, palavras inaudíveis.

    -       Fui no parque hoje.
    -       E você brincou com quem?
    -       Clarinha.
    Alguém vai soprando o que ela deve dizer e, confusa, diante das minhas perguntas que não casam com o texto sugerido, ela se sai com o seguinte:

    -       Tô de meia.
    -       Que meia, a da vaca?
    -       É.
    Silêncio.
    -       A girafa caiu.
    -       Caiu, filha? Pega ela.
    -       Caiu. Hahahaha. A girafa.
    Ela de novo:
    -       Papai é engraçado.
    -       Faço idéia. Ele te faz rir?
    -       Mãe, tem abelha.
    -       Abelha onde minha filha?
    (inaudível)
    -       Mamãe, olha só.
    -       Filha, pelo telefone eu não estou vendo nada. Você correu muito hoje?
    -       Correi. Olha só, mamãe - e sai correndo, com o telefone na mão, enquanto o pai tenta recuperar a ligação.

Soube depois que ela acordou dizendo que tinha abelha na cama (provavelmente por overdose de ursinho Pooh no DVD...).



Escrito por Bebel às 22h57
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