 |
Pequena notável
Letícia apronta alguma para mim e me tira do sério.
- Olha aqui, não gostei, entendeu? Estou muito chateada contigo – esbravejo.
Ela me olha com a maior cara lambida, sorri e diz quase melodicamente: “eu não tô não”.
...................
Comprei um cofrinho em gesso. “Vamos aprender a poupar, tá bem?”, propus. “Tá”, ela concordou, feliz da vida colocando moedinhas dentro. A poupança durou cinco minutos. Num ato de rebeldia extrema, ela fez uma pirraça e tacou o porquinho no chão. Diante da minha cara visivelmente contrariada, exclamou “ah...que pena”. Essa neném está me testando...
....................................
Suas frases estão ficando cada vez mais longas e elaboradas. Outro dia me perguntou “cadê o ursinho puff que eu ganhei?”. O recorde, creio eu, foi a constatação de que “o sapo mora na lagoa e não lava o pé porque não quer”, dito fora da música. Ela encaixou a fala numa conversa, de forma bem natural.
....................................
O tal do Puff é aquele bonequinho vendido no Free Shop que derrama confetes de chocolate quando acionamos seu bracinho. Letícia adorou, por supuesto. Depois de se empaturrar de confetes, dei um basta. Era tarde, ela já tinha escovado os dentes, e tinha que parar uma hora. Chorou, reclamou, mas esqueceu. Instantes mais tarde, ela vira para mim, com cara de pidona, mostra o dedinho indicador e diz: “mamãe, quero só um, só um! Eu quero o verde”. Comovida com a esperteza da pirralha, fui lá, peguei o confete verde e dei para ela. Um minuto depois, ela faz a mesma cara, mostrou o mesmo dedinho e repetiu: “mãe, me dá só um? Só um?”.
....................................
Não sei se estamos estimulando demais a imaginação de Letícia, mas ela adora conversar com tudo. Começamos com a fantoche Pipa, aí passamos para os sapinhos de dormir, ursos, bonecos, o Pablo, do Backyardigans, todos conversam com ela, espontaneamente ou a pedidos. “Fala mamãe, faz o sapo falar”. A última estratégia foi recorrer a técnicas de ventríloquo (amador, claro) para convencê-la a deixar o xixi ir embora. Letícia prende até rebolar e não vi outra forma de ela parar com isso, se não convencendo-a de que o próprio xixi queria e precisava ir embora para o mar. “Letícia, sou eu, seu xixi!! Eu quero sair daqui”, digo eu, tentanto imitar uma voz do além da barriguinha dela. Letícia embarcou. Conversa com o xixi, com o cocô, e ai de mim se não entabular uma conversa escatológica. O importante é que funcionou. O próprio xixi conseguiu a auto-libertação. E foi feliz para o mar.
Escrito por Bebel às 23h26
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
 |
 |