Vastas emoções
Amada filha,
Está passando rápido essa vida toda que temos pela frente. Você está com dois anos e meio e me surpreende dia após dia com suas observações. Fico com pressa de te apresentar o mundo e, cautelosa, vou aos poucos introduzindo temas novos nas nossas conversas. Eu não sei o quanto você entende, mas certamente capta mais do que imagino.
Ontem, cansada depois de muito correr por uma exposição, você pediu colo. Te carreguei até não poder mais. Quando te expliquei que estava cansada, você me inquiriu: “você num ‘toce’ meu carrinho pa eu dumi?”.
Outro dia te levamos ao Holiday on Ice. Lembrei de minhas idas ao Maracanãzinho. Só isso pode explicar a onda de emoção e as lágrimas que marejaram meus olhos quando o Pernalonga chegou ao palco. Você mal sabe quem é Pernalonga, mas me contou feliz que estava ali o coelhinho. Eu chorei. Gritou pela vovó quando o Frajola ameaçava comer o Piu-Piu e me perguntou, como sempre, curiosa e preocupada, onde estava o papai e a mamãe do gatinho, do coelhinho, do piu-piu, do “mau” (Diabo da Tasmânia) e daquele povo todo que patinava no gelo. Haja versões para te apresentar. Mas estávamos lá ao seu lado, seu pai, sua vovó e eu, no caso, submersa numa inexplicável comoção diante dos personagens que enfeitaram minha infância também.
Está tudo tão vivo na memória que fica difícil crer que tanto tempo tenha passado. Bem-vindo tempo, porque é chegado o nosso tempo.
Beijocas
Mamãe
A gente já se conhece bem, eu acho. Hoje você chorou muito na hora de sair da piscina, claro, estava tão legal. Expliquei que tínhamos pressa, afinal, papai ia viajar, a gente tinha que papar antes e tal. Não adiantou. Deixei você com seus desejos e lamentei não atendê-los. "Sinto muito, filha". Em casa, nada melhorava para entrar no banho. Você chorava e repetia que não queria sair da piscina. Te abracei e disse "nem eu". Aí você continuou chorando, batendo nas minhas costas de leve com a mãozinha, como se a consolada fosse eu. Aí te disse, "eu também não queria que teu pai fosse viajar", você chorou mais ainda e disse "nem eu...". Seu pai não viu a cena, tinha ido buscar o almoço, ou ele sairia ainda mais triste de casa. Quanta emoção para administrar, hein...Daqui a pouco, em uma semana, ele volta. ô saco.
Escrito por Bebel às 14h58
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Sábias conclusões de uma neném
“Eu tô muito dodói. Tô com coceira no meu braço”
...
“Você tem um peito muito bonito. O meu é pequenininho”
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“Eu quero uma irmã grande” (estávamos no vestiário da academia, enquanto uma neném de um ano abria o berreiro)
...
Ainda no banheiro da academia, uma senhora a elogia.
- Você é muito linda.
- Essa é a minha mamãe. Ela também é muito linda.
...
“Eu tô muito pronta” (sobre ir para a aula de natação)
...
- Eu já comei.
- Eu comi - corrijo
- Nãooooo. Eu é que comi.
Ela não confunde mais eu com você.
“Eu não consigo voar”. Letícia chegando a uma conclusão triste depois de ver inúmeras vezes o filme Os Incríveis.
“Tetê, você não é superói.”
(Letícia dizendo para a babá uma verdade).
Escrito por Bebel às 14h47
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A língua do T
- Mamãe, vem brincar tomigo?
- Já tomi. Tomi tudinho (comi).
Deixo Letícia brincando e vou para a cozinha. Daqui a pouco, ela aparece com um ar muito sério:
- Eu tô sozinha no meu tarto!
Agora, quando ela quer combinar algo, levanta o dedão e manda “tombinado?”
- Papai já tá em tasa.
Escrito por Bebel às 14h46
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