Antes (e depois) de tua chegada
   



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O orgulho

Eu estava atrasada para o trabalho, acordara indisposta, demorei a sair, e, quando desci, Letícia já tinha voltado da capoeira. Estava no jardim brincando com uma amiguinha e a babá. Quando me viu, ela correu na minha direção, escalando a ladeira de grama onde não deveria pisar, e me abraçou. Virou sorridente para a amiguinha e me apresentou: "Sofia, essa é a minha mamãe". Como a Sofia não tinha dado muita importância a isso, repetiu, até Sofia também vir me abraçar. Algo naquele sorriso e na espontaneidade do anúncio, deixou-me assim de...bola cheia. Fui toda inchada trabalhar lembrando da ênfase dada ao "ESSA é a minha mamãe". E ESSA é a minha filha.



Escrito por Bebel às 15h46
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A porta e o violão

Não sei quando exatamente Letícia começou com essa história de querer fazer tudo sozinha, mas posso indicar três marcos em seu caminho rumo à autonomia: o dia em que ela pulou o berço, num claro sinal de que era hora de passá-la para a cama; o dia em que ela abaixou as calças, fez xixi no penico e jogou o resultado de sua independência no meu vaso (não sei a data exata, mas posso reviver o temor que senti de que aquele xixi tivesse se espalhado pelo chão do banheiro); e o dia que ela destrancou a porta da sala. Isso aconteceu hoje de manhã.

Estávamos de saída para a capoeira, onde ela é quase a mascote da turma (as crianças têm de 5 anos para cima, e ela, só 2 anos e 7 meses). Letícia se adiantou enquanto eu fazia não sei o quê e abriu a porta. “Mamãe, eu abri a porta!”, disse-me, em tom de “lá lá lá lá lááááá lá”. E ficou assim por alguns instantes dentro do elevador se vangloriando do feito. “Eu tonsegui-i. Eu tonsegui-i, lá lá lá lá lááááá lá”. Tive que rir, até a derradeira conclusão. “Mamãe, eu já tô grande para abrir a porta...”.

Em casa, agora, há ordens expressas para tirar a chave da porta. Imagina esse tiquinho fugindo de casa!

 

No mesmo dia em que destrancou a porta, ela compôs sua primeira música ao violão. De repente, ouço Letícia começar um confuso enredo iniciado por um indefectível meu amor (musical, não?) e a história do lobo mau que ia correr, cair e escorregar. Ela segurava o violão no colo na posição esperada de uma musicista, com as duas mãos, uma badalando umas poucas notas, a outra apoiando, enquanto inventava os versos. Bem, nós filmamos esse momento único. Se ela um dia virar uma compositora famosa, nosso vídeo caseiro valerá milhões. Mas seja qual for seu futuro profissional, para nós já vale milhões de emoções.



Escrito por Bebel às 23h14

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